A Mídia: “Papa diz que fabricantes de armas não podem se dizer cristãos” | OU | O Papa “Hipocrisia de falar de paz e fabricar armas, e até vender armas a quem entrou em guerra com outro, e àquele que está em guerra com este!”

A Mídia: “Papa diz que fabricantes de armas não podem se dizer cristãos”

Francisco fez sua condenação mais forte à indústria de armas até hoje durante um comício para milhares de jovens ao final do primeiro dia de sua visita à cidade italiana de Turim.

Fonte:
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/06/papa-diz-que-fabricantes-de-armas-nao-podem-se-dizer-cristaos-20150621163504098059.html

O Papa: “As duas faces da moeda corrente, hoje: dizer uma coisa e fazer outra. A hipocrisia…”

A pergunta? Desconfiança da vida. O contexto visado pelo Santo Padre? A guerra, em particular a Primeira Guerra, e «aquela hipocrisia de falar de paz e fabricar armas, e até mesmo vender armas a este que está em guerra com aquele e àquele que está em guerra com este!».

Contextualizada a celeuma, passar-se-ia à sua explicação, ao seu justo sentido, à elucidação do mistério

Fonte Católica:
http://www.deuslovult.org/2015/06/22/se-dizem-cristaos-e-fabricam-armas/

Como essa notícia foi distorcida?

A Mídia pegou uma crítica sobre a hipocrisia – de investir em armas somente por lucro e pregar a paz simultâneamente – , num contexto muito maior, que é um discurso sobre a amizade e a vida e usou como se o Santo Padre tivesse levantado uma bandeira desarmamentista. Um leitor imparcial, que leia o discurso na íntegra, certamente perceberá que a intenção do Santo Padre o Papa Francisco foi ampliada para muito além da sua vontade.

O Santo Padre realizou um belíssimo discurso sobre a vida e sobre os amigos, atacando a hipocrisia. O texto tem 15 parágrafos. 1 parágrafo cita as armas como exemplo de hipocrisia… Em determinada parte do discurso, quando ataca a hipocrisia e a guerra, fala:

Um aspecto faz-me reflectir: pessoas, dirigentes, empresários que se proclamam cristãos, mas fabricam armas! Isto desanima um pouco: dizem ser cristãos!
«Não, não padre, eu não fabrico armas, não… Tenho apenas as minhas poupanças, os meus investimentos nas fábricas de armas».

 

Ah! E porquê?
«Porque os juros são um pouco mais altos…»

Mais à frente ainda retoma:

Quantos cristãos sofreram, foram assassinados! As grandes potências dividiam entre si a Europa como se fosse um bolo. Tiveram que passar muitos anos antes de chegar a uma «certa» liberdade.

Há aquela hipocrisia de falar de paz e fabricar armas, e até vender armas a quem entrou em guerra com outro, e àquele que está em guerra com este!

Certamente, pelos pequenos excertos de texto, é possível observar que o discurso do Santo Padre não pode ser corretamente transformado na notícia “Papa diz que fabricantes de armas não podem se dizer cristãos” e permanecer fiel à verdade. A Igreja, e o Papa, sabem que a Polícia precisa de armas, que o Exército precisa de armas, que os seguranças, detetives, delegados e demais profissionais precisam de armas – certamente as armas não fabricam-se a si mesmas –

Para ser verdadeira a notícia deveria ser algo como “Em discurso sobre a vida e os amigos Papa critica aqueles que colocam o lucro com a venda de armas acima do bem da vida humana” ou “Reunido com jovens em Turim, Papa critica a guerra e a hipocrisia de se vender armas para os dois lados de uma guerra”.

Pode porém ser bem oportuno observar a chamada de atenção do Santo Padre, pois de fato há pessoas que lucram com a guerra… o que é verdadeiramente anti-cristão.

Fonte Primária (Vaticano):
http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2015/june/documents/papa-francesco_20150621_torino-giovani.html